Luiza Bandeira

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Bailarina,coreógrafa,personal training. Criadora do material didático para bailarinos e professores ( Apostilas de Ballet) Premiada em vários Festivais como bailarina e coreógrafa. Luiza Bandeira também atua dando workshops em festivais e como jurada. Formada em pela Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, Ed. fisica (Faculdade Plinio Leite), Históra de Dança e da artes, terminologia do Ballet entre outros. Atualmente vive em Mar del Plata Argentina expandindo seu trabalho como professora de ballet clássico, contemporâneo,jazz, alongamento y flexibilidade. Na área fitness atua com classes de Gap,combat, spinner,musculação.também praticante de Artes Marcias Capoeira,  jiu-jitsu e muay thai. Luiza Bandeira dedica seu maior tempo ao estudo do corpo e do movimento aperfeiçoando cada dia mais sua tácnica e seu trabalho.

domingo, 26 de agosto de 2012

Sergio Marshall




Entrevistado: Sergio Marshall

                 Sergio Marshall e Luiza Bandeira - Teatro Bolshoi Brasil

LB: Bom, quem é Sergio Marshall, 1º Bailarino do TMRJ, Coordenador Artístico do Ballet A Criação do TMRJ, professor, ensaiador... Com que idade começou a dançar e onde?

SM: Bom dia Luiza. Vale fazer algumas retificações. Embora tenha atuado em quase todos os papeis principais do repertório do TM, não tinha o cargo, pois esta promoção ficou “congelada” durante muitos anos e atualmente já não atuo mais no TM, apesar de ter passado por todos os cargos da hierarquia, desde corpo de baile até Diretor Artístico.
Comecei a dançar em Porto Alegre aos 18 anos com a professora russa Marina Fedossejeva. O interessante na minha formação é que ela foi aluna direta de Agrippina Vaganova, que foi quem desenvolveu a Metodologia Vaganova do ensino do ballet clássico, até hoje uma das metodologias mais respeitadas e eficientes. Além dela, ainda em Porto Alegre, foi muito importante na minha formação a atuação do mestre Walter Arias, bailarino uruguaio, de muita personalidade e ensino técnico impecável, qualidades que agreguei à minha carreira e prezo muito num bailarino.



LB: No Caminho para sua formação profissional, quais Ballets de repertório você dançou e quem  interpretava?

SM: Acho que já dancei todos, rs, e fiz desde vendedor de lenços, meu primeiro papel no corpo de baile do TMRJ, na versão de Don Quixote de Dalal Aschar, até os papéis principais em O Quebra Nozes, Floresta Amazônica, Coppélia, La Sylphide, Grand Pas Classique, Giselle, La Fille Mal Gardée, onde interpretei tanto o papel de Colas quanto o de Alain, pelo qual fui indicado para o prêmio Mambembe, Don Quixote, O Corsário, inclusive com este papel ganhei diversos prêmios na Primeira Edição do Concurso do CBDD, há muitos anos, que foi na verdade o primeiro concurso de dança realizado no Brasil. Vale ressaltar que ao longo da minha carreira dancei em muitas companhias que não eram de repertório clássico, como o Ballet Stagium, Cisne Negro, Balé da Cidade de São Paulo, Ballet do Teatro Castro Alves, onde pude explorar inúmeras possibilidades técnicas e artísticas além das proporcionadas pelo repertório clássico do TM. Com estas companhias tive a oportunidade da dançar por todo o mundo, da América do Sul à Europa, o que me enriqueceu ainda mais enquanto artista.

LB: Fale das dificuldades que teve como bailarino, seus obstáculos e como superou todos eles.

SM: As dificuldades foram muitas, desde a minha origem humilde, a difícil aceitação pela família, e as dificuldades inerentes à formação de um bailarino, como as limitações físicas, a busca de uma formação mais aprimorada pelo fato do meu inicio tardio, pois naquela época eram poucos os bailarinos homens que tinham a oportunidade de se iniciar cedo nos estudos do ballet. E acho que superei isso tudo porque sou extremamente teimoso e insistente, o que não deixa de ser bom para um bailarino, pois sabemos que os obstáculos são muitos e não podemos desistir no primeiro.

LB: Como se tornou 1° bailarino do TMRJ e quais foram os cargos assumidos e dirigidos por você na história do ballet do TMRJ?

SM: Como já disse anteriormente, já passei por todos os cargos do TM. Comecei como corpo de baile, passando por corifeu, solista e primeiro solista, onde atuei como primeiro bailarino em quase todas as produções da companhia, e passei de vendedor de lenços a príncipe em menos de um ano, dividindo o palco com estrelas do ballet como Ana Botafogo, Cecília Kerche, Julio Bocca, Fernando Bujones, Jean Yves Lormeau, Marcia Haydée, Richard Cargun, Elizabeth Platel entre outros. Num segundo momento também exerci os cargos de professor, ensaiador, assistente de direção e finalmente diretor artístico, e foi nesta ocasião que trouxemos pela primeira vez para uma companhia de fora da Europa o ballet A Criação, do coreógrafo Uwe Scholz, que no ano seguinte foi também apresentado em Joinville com enorme sucesso e grande comoção do público.

     Teatro Bolshoi Brasil, Sergio ministrando aulas de ballet clássico e ao fundo o ilustre Pianista Eduardo Boechat.

LB: Quais foram os professores mais importantes, os que mais influenciaram no seu desenvolvimento profissional?

SM: Meus professores em Porto Alegre foram fundamentais, é claro, mas já fora do RS e já atuando como profissional, uma vez que entre meu início como aluno e a conquista de meu primeiro contrato profissional, no Teatro Guaíra, foram apenas 3 anos, tive a oportunidade de trabalhar com grandes mestres como Carlos Trincheiras, Jair Moraes, Hugo De La Valle, Aldo Lotufo, Tatiana Leskova, Eugenia Feodorova, Jane Blauth, Jorge Siqueira, Ismael Guiser, entre tantos outros aqui no Brasil e na Europa, como no Mudra, em Bruxelas/Bélgica, que na época era a escola do Ballet Béjart, que se chamava Ballet du XXIéme Siécle, na École de Danse do Ballet de Zurich/Suiça, e além disso nos EUA, com aulas em NY no Joffrey Ballet School.



LB: O que  acha da dança no Brasil, das escolas, espetáculos, festivais, acha que estamos caminhados para um futuro promissor ou o Brasil ainda está muito atrasado em relação a outros países?

SM: A dança no Brasil evoluiu muito desde que eu comecei. Os bailarinos hoje estão em pé de igualdade com as grandes estrelas mundiais. Os festivais são um meio muito importante de fomento à dança, com a troca de experiências e conhecimento, apenas com um senão: a ênfase demasiada a altura das pernas e o número de piruetas, em detrimento ao verdadeiro sentido da dança, que é a arte, uma vez que a técnica é tão somente um meio para se chegar a um fim mais profundo, a arte.

LB: Cite o nome de alguns bailarinos que você acha que mereciam destaque na dança no Brasil, mas infelizmente ainda ficam escondidos por causa da falta de oportunidade?

SM: Eu acho que os bailarinos que já atingiram um nível artístico mais consistente já estão conseguindo este reconhecimento, apenas aos que são muito jovens e ainda não muito lapidados falta esta visibilidade, que virá, se não aqui no Brasil, onde o mercado é pequeno, nos palcos do mundo inteiro. Lembrando que uma medalha num concurso não é uma garantia, mas apenas um passo para este aprimoramento artístico.

LB: Atualmente  está ministrando cursos, dando aulas, fale um pouco sobre os novos projetos?

SM: Atualmente, junto com a minha esposa, eu abri meu próprio estúdio de dança, na cidade de Teresópolis/RJ e além disso tenho dado aulas como professor convidado em academias e companhias profissionais, como mais recentemente o Ballet de Niterói, a São Paulo Companhia de Dança, a Cia Jovem do Ballet Bolshoi no Brasil, e amanhã mesmo estarei embarcando para minha segunda temporada como professor de Ballet Clássico no Festival de Dança de Joinville.

LB: Deixe uma mensagem especial para nossos leitores

SM: Presumindo que a maioria dos leitores seja de bailarinos e/ou estudantes de dança, o que eu posso aconselhar é que façam muitas, muitas, muitas aulas, enfatizando sempre a limpeza e a correção dos movimentos de base, e que, além disso, também leiam muito, assistam bons filmes, boa música, adquiram cultura geral, que dará maior consistência e peso artístico à sua dança, afinal, as partes mais importantes do corpo de um bailarino ainda são o cérebro e o coração.

 LB: Querido Sergio, meu mt obrigada por esse momento delicioso, c/ essa conversa maravilhosa sempre enriquecendo nosso trabalho e  trazendo novidades para nossos leitores. Fica ai mil beijos e mt luz no teu caminho, ainda temos mt trabalho juntos esse ano se Deus quiser bjs lu