Luiza Bandeira

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Bailarina,coreógrafa,personal training. Criadora do material didático para bailarinos e professores ( Apostilas de Ballet) Premiada em vários Festivais como bailarina e coreógrafa. Luiza Bandeira também atua dando workshops em festivais e como jurada. Formada em pela Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, Ed. fisica (Faculdade Plinio Leite), Históra de Dança e da artes, terminologia do Ballet entre outros. Atualmente vive em Mar del Plata Argentina expandindo seu trabalho como professora de ballet clássico, contemporâneo,jazz, alongamento y flexibilidade. Na área fitness atua com classes de Gap,combat, spinner,musculação.também praticante de Artes Marcias Capoeira,  jiu-jitsu e muay thai. Luiza Bandeira dedica seu maior tempo ao estudo do corpo e do movimento aperfeiçoando cada dia mais sua tácnica e seu trabalho.

domingo, 23 de setembro de 2012

Entrevista Cecilia kerche


Cecilia Kerche
Cecilia Kerche 1ª bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Embaixatriz da dança com titulo pelo CBDD, órgão vinculado a Unesco. Paulista radicada no RJ teve como Mestres, profissionais como Vera Mayer, Halina Bienarcka, Pedro Kraszcuzuk com quem é casada, entre outros. Dançou em vários países representado o Ballet do Brasil, Cecilia Kerche é considerada uma das maiores bailarinas de todos os tempos.




                                  
                                Luiza Bandeira entrevista Cecilia Kerche



LB: TRMJ. Você entrou prestando audição e em 3 anos conquistou o titulo de 1ª bailarina. Como foi lidar com tudo isso e como se preparou para conquistar o posto mais desejado pelas bailarinas?

CK: Quando entrei para o BTMRJ , ocupando o posto de corifée , sabia o quanto distante estava para chegar a ser Bailarina Principal , titulo este que tinha pretensão de alcançar até meus 25 anos. E exatamente dois meses após completar esta idade, fui promovida a Primeira Bailarina.
Na primeira temporada que me apresentava como Primeira Bailarina pude sentir o peso do que significa ter esta posição . Ao interpretar Giselle, ballet que já tinha dançado em minha graduação na escola e como Solista do BTMRJ, sabia que de agora em diante seria diferente ... Pois uma Primeira Bailarina não é somente a bailarina que faz o papel titulo de um ballet e sim a representatividade de uma instituição.



LB: Como é sua rotina atualmente no TRMJ?

CK: A rotina é praticamente a mesma ao longo destes 30 anos de carreira, aulas, ensaios e apresentações. A diferença deste momento para os anos anteriores é que após ter sofrido uma lesão muito seria que me afastou dos palcos por quase três anos, estou tendo que ter uma paciência enorme em reconstruir a bailarina que habita meu ser, ou seja, não tenho podido assumir muitos compromissos para dançar pelo fato de estar tendo que voltar aos poucos e com muita cautela.

LB: Dores musculares, lesões, desgaste físico, como você lida com isso, que método de prevenção utiliza pra prevenir total desgaste físico?

CK: Quem tem o físico como instrumento de trabalho, sabe que não passa ileso por uma carreira de exigências, os percalços mencionados por você são uma rotina na vida de uma bailarina e no meu caso sempre soube que aula de ballet é o que sempre me preparou para minha profissão. Tenho uma vida regrada, nunca consumi drogas, não bebo bebida alcoólica, minha alimentação é equilibrada e sei que o descanso faz parte do treinamento. Já cheguei a conclusão que o  desgaste é inerente a vida , porque quem faz ballet ou esporte , tem desgaste , quem não faz tem também ...então .... !!!!!



LB: Como anda sua agenda de apresentações, onde nossos leitores podem estar indo assisti-la dançar nos próximos meses?

CK: Como mencionei acima, tenho me apresentado pouco, mas com a grande alegria de ter retornado para o Corpo de Baile, voltado a dançar no palco do Theatro Municipal, dancei na comemoração dos 30 anos do Festival de Joinville, fiz algumas apresentações em festivais menores, mas de igual importância para mim e mais para frente terei uma apresentação no Mato Grosso e outra na Bahia e com grande expectativa para mais apresentações no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.


LB: Festival de Dança de Joinville e Teatro Bolshoi, já é fato que todo ano podemos ter sua presença na cidade da Dança. Conte como é essa parceria com o Festival e fale sobre o festival 2012 e a apresentação do Ballet Raymonda ao lado da Cia do Ballet Bolshoi.

CK: Desde a primeira vez que me apresentei em Joinville em 1989, criei um vinculo muito especial com este Festival dancei algumas vezes mais  e outras vezes estive convidada como jurada e a partir deste ano , numa missão de muita responsabilidade , fazer parte do conselho artístico .
Já foram 15 apresentações, e esta com a Escola e Cia do Bolshoi, foi muito emblemática para mim, pois tive o dileto prazer de ser convidada e pude sugerir que meu partner fosse Denis Vieira, Solista do BTMRJ , porém formado pela escola do Bolshoi no Brasil , quando Pavel Kazarian e o Ely Dinis poderiam ter optado por um casal do Theatro Bolshoi da Rússia , que com certeza aceitariam com muito bom grado vir dançar aqui.



LB: Interprete de grandes repertórios eruditos, como define e dança contemporânea? De que forma ela afeta os ballets de repertório visto que a montagem para o mesmo tem custo altíssimo de figurinos, cenários, grande elenco?

CK: A dança contemporânea ocupa o seu espaço, tem a sua peculiaridade, onde a exigência física não é um fator preponderante, já o ballet contemporâneo pede que seus interpretes tenham intimidade com a plástica e destrezas do ballet clássico, ainda sem que o palco tenha que ser parte de uma historia. Agora o ballet clássico de repertorio, este sim exige total integração entre coreógrafos, ensaiadores, pianistas acompanhantes, artistas que elaboram os cenários, os que criam figurinos, técnicos de palco, com o elenco de bailarinos, que tem que ser um corpo de baile habituado a trabalhar junto por muitos anos, Solistas que devem ter total interação com os personagens que interpretarão, e os Primeiros Bailarinos que devem levar ao público a excelência da arte da dança que é narrar uma historia através de sua alta compreensão artística sem dizer uma única palavra, tudo através da musica que deve ser apresentada por uma orquestra especialista nos grandes mestres, tendo a frente um Maestro com extrema sensibilidade. Por isso acho que cada qual ocupa seu lugar, um sem competir com o outro, ou deveria ser assim ... Porque deveria ser o objetivo principal, se ter mais companhias empregando bailarinos e assim oferecer ao público essa diversidade que é a dança, porque na Europa, Estados Unidos e Ásia, os custos também são altos para ballets de grandes produções, mas nestes lugares a dança é encarada como indústria do entretenimento e tem que dar lucro!!

LB: Qual a importância da formação em Dança Clássica para a dança Contemporâneo, visto que alguns ainda julguem que não é necessário fazer ballet pra se dançar contemporâneo.

CK: Tudo vai depender da proposta coreográfica, mas é impossível para alguém que nuca tenha feito aulas de ballet , e muitas aulas de ballet mesmo, dançar qualquer coreografia de ballet contemporâneo em sapatilhas de pontas ou não. Pois um piloto não vai voar um Boeing  se ele não tiver conhecimento dos instrumentos de vôo.



LB: O que falta para o TMRJ seguir exemplos como a Ópera de Paris com grandes espetáculos e ricas produções. O TMRJ é único no Brasil com Orquestra, coro e técnica e raramente conseguimos assistir grandes produções. Governo? Incentivo? Administração?

CK: Falta de fato só seguir os exemplos que ai estão e que pode ser exatamente o Teatro que você  citou e usar a formula que lá se usa e que da certo, porque a beleza da CASA já temos , inclusive o Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi inspirado no teatro francês  . Mas tem que ser seguido a risca, kkkkkk !!!!

LB: Quais suas metas pra 2013, muitos trabalhos para o ano que se aproxima?

CK: Espero que sim !!



LB: Em outra conversa perguntei-lhe uma vez se você tinha interesse em ter uma escola, uma Cia. E você me respondeu: Não, quero morrer como interprete de Teatro que eu amo tanto, dando o meu melhor.
Hoje em dia a resposta seria a mesma ou jovens bailarinos podem ter chance de sonhar em um dia dançar em uma Cia dirigida por Cecilia Kerche?

CK: Gente eu disse isso mesmo ??? aiaiaia !!!  minha intenção é continuar no meio da dança sim , gosto muito de ensaiar passar minha energia , incentivar aos bailarinos a conseguir encontrar o seu melhor, quem sabe ....

LB: Para nos despedimos uma mensagem especial aos nossos leitores, bailarinos, fãs e amantes da dança.

CK: Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.
 Confúcio




Querida, que Deus te ilumine. È sempre mt bom falar com você, gostaria que todos pudessem ver que por trás de todo esse brilho existe uma pessoa doce e gentil e sempre pronta pra nos receber. Meu carinho e admiração.
                                                                        c/ amor Luiza Bandeira





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